Quero renascer. Quero parar de ser uma coisa que não gosto em momentos precisos. Quero energia para consumir e fazer alguma coisa útil e quero, após todos estes anos e finalmente, parar de fugir de mim e do que realmente importa.
Quando estou perdida nos recantos de mim que exploro quando me atinge a saudade, preciso que venhas puxar-me para cima (preciso que chegues e que te sentes ao meu lado para me lembrar das coisas que realmente importam), para que não caia no eterno esquecimento das minhas raízes ou em teias de coisas passadas (num passado onde existes e que por isso tanto).
Falhei-te e ainda não fiz luto a isso. Falhei ver-te e a saudade alimentou-se de qualquer coisa cinzenta, da inércia, de parte importante de mim e, sem saber bem como me sentia, permiti-me (uma vez mais) fugir de mim para um sítio onde sempre possa chorar o fracasso e a saudade.
Hoje voltei sem saber quem sou.
"Sinto sozinho e nunca aprendi a estar sozinho.Estou sozinho. Sinto falta das palavras. Estu sozinho. Estou sozinho. Sinto falta de uns olhos onde possa imaginar. Estou sozinhoo. Sinto falta de mim em mim." José Luís Peixoto
sábado, 16 de abril de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
Fico eu até me cansar de ser eu. Sou o som de qualquer coisa cheia de força a explodir. De tudo o que normalmente sou eu e gosto a explodir mudo para algo cada vez mais alto, fino e intenso. Sou uma paragem e um final aberto e fico eu nessa paragem a imaginar que mais poderia ser em todas as vezes que não sou eu. É nessa paragem, nesse interregno, em que o espaço à volta deixa de poder entrar em mim. É aí passo a ser intocável.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Caminhei para um certo destino onde não aspirei chegar e calculei dentro de mim, nos meus traços mais antigos, quantos segundos tinha para não existir e determinei que nenhum. Caminhei calculando distâncias e tempos numa equação que me tem a solidão como incógnita e por isso, andei sem ninguém a meu lado para diminuir essa constante. E cheguei àquela sala a sorrir a mais uma reprimenda que me era devida, apenas para me encontrar comigo mesma perto dos cabides onde sempre penduro o casaco, e quase que ninguém dava por mim. Retornei à sala e aquela sensação esqueceu-se lentamente dentro de mim e de mim se mostrou ao mundo por um indiscreto chorar mesmo antes de se esquecer. Faculdade que, em dias de sol, dispenso.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
À Conversa
-Tens medo do escuro?
- Às vezes!
- O que é o escuro?
- A ausência de luz...
- E o escuro existe?
- ... Não.
- Então tens medo de uma coisa que não existe?
Falo muito... de vez em quando, converso!
- Às vezes!
- O que é o escuro?
- A ausência de luz...
- E o escuro existe?
- ... Não.
- Então tens medo de uma coisa que não existe?
Falo muito... de vez em quando, converso!
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