"Sinto sozinho e nunca aprendi a estar sozinho.Estou sozinho. Sinto falta das palavras. Estu sozinho. Estou sozinho. Sinto falta de uns olhos onde possa imaginar. Estou sozinhoo. Sinto falta de mim em mim." José Luís Peixoto
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
A própria falta de vontade é recorrente em mim. As coisas passam com um suave aroma de intacto. Soa uma musica gentil nos recantos a que não se chega e, por isso, essa música nunca tocará em ninguém. As coisas que outrora importaram hoje coexistem connosco e, no entanto, não damos por elas, quem sabe seremos sequer ainda capazes de as alcançar. Fala-se de crise.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Os dias vão-se gastando silenciosamente. Sem gastar o solo que pisam. E as coisas que não são feitas, acumulam-se seguindo a lei das coisas, eventualmente, as que mais se arrastam, por serem tão inimigas da preguiça, vão deixando um cheiro de esquecimento muito vago. Eu reforço-me de uma nova vontade de andar, que se gasta proporcionalmente à passagem dos dias, e que, após gastas, eu renovo, evitando a deprimência. Nada se abala. Os dias continuam a gastar-se num silêncio cada vez mais consumidor. Ao fim de cada dia, os esforços pôem-se em evidência através do cansaço, assim como a sua própria irrelevâcia: sem qualquer fruto ou recompensa ou ponta de satisfação. E os dias repetem-se, repetem-se, repetem-se...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
São onze e trinta e quatro da manhã. Ela estende o braço à mesa onde por baixo dos livros tem sempre o telemóvel e, pela quarta vez, vê as horas. Aproveita também para ver o saldo e pensa a quem mandar uma mensagem a seguir. As menságens são grátis.
Há sempre lá à frente alguém que não interessa, a falar de coisas tão importantes quanto a sua presença ali.
Ela é um ser estranho, que junto com os restantes seres daquela sala, governa aquele mundo. Sabe tudo, e sabe possuir esse poder de governar e sempre que pode faz uso dele, pelo que nada pode acontecer que ela ou outro qualquer não deixe acontecer. Tem o dom da palavra (sempre a palavra que interessa ter e, no entanto, nunca diz nada que realmente importe) e sabe a arte de mentir. É amiga de toda a gente, mas só quando não interessa ser.
Tudo o que não é falado, não existe. Para ela ou qualquer dos que a rodeiam, as coisas são assim imensamente e tão mais fáceis.
Toca a campaínha e o barulho intensifica-se, espalha-se e dissipa-se momentos a seguir, dando lugar a novas ondas de coisas ocas. Ao seu lado, a pessoa a quem momentos antes mandava mensagens deixou de existir. Existe sim, o rapaz giro que anda sempre naquele corredor. Trocaram olhares e por isso tem que gostar dela. Não há maneira de não gostar dela. Ali não existe uma pessoa que chore, ou solidão ou qualquer expressão na cara de ninguém porque ninguém nunca fala de coisas como essas.
Novo toque de campaínha impõe-se e lança-se mais alto que todo o barulho. Naquela sala onde está agora, não há empatia nem respeito porque qualquer um que ali esteja não o permite. Há de novo o telemóvel dela sobre a mesa, debaixo dos livros e a pessoa por detrás das mensagens. Há o ar condicionado a lutar por tornar o ar menos quente e pesado e a falhar vezes sem conta, a não importar, sempre a juntar-se ao barulho.
Ninguém ama e todos sabem falar de amor. Todos sabem falar de amizade e ninguém sabe o que é a amizade. Este mundo que ela gorverna, é um mundo de coisas perfeitas.
Há sempre lá à frente alguém que não interessa, a falar de coisas tão importantes quanto a sua presença ali.
Ela é um ser estranho, que junto com os restantes seres daquela sala, governa aquele mundo. Sabe tudo, e sabe possuir esse poder de governar e sempre que pode faz uso dele, pelo que nada pode acontecer que ela ou outro qualquer não deixe acontecer. Tem o dom da palavra (sempre a palavra que interessa ter e, no entanto, nunca diz nada que realmente importe) e sabe a arte de mentir. É amiga de toda a gente, mas só quando não interessa ser.
Tudo o que não é falado, não existe. Para ela ou qualquer dos que a rodeiam, as coisas são assim imensamente e tão mais fáceis.
Toca a campaínha e o barulho intensifica-se, espalha-se e dissipa-se momentos a seguir, dando lugar a novas ondas de coisas ocas. Ao seu lado, a pessoa a quem momentos antes mandava mensagens deixou de existir. Existe sim, o rapaz giro que anda sempre naquele corredor. Trocaram olhares e por isso tem que gostar dela. Não há maneira de não gostar dela. Ali não existe uma pessoa que chore, ou solidão ou qualquer expressão na cara de ninguém porque ninguém nunca fala de coisas como essas.
Novo toque de campaínha impõe-se e lança-se mais alto que todo o barulho. Naquela sala onde está agora, não há empatia nem respeito porque qualquer um que ali esteja não o permite. Há de novo o telemóvel dela sobre a mesa, debaixo dos livros e a pessoa por detrás das mensagens. Há o ar condicionado a lutar por tornar o ar menos quente e pesado e a falhar vezes sem conta, a não importar, sempre a juntar-se ao barulho.
Ninguém ama e todos sabem falar de amor. Todos sabem falar de amizade e ninguém sabe o que é a amizade. Este mundo que ela gorverna, é um mundo de coisas perfeitas.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O mundo faz um último esforço e condensa-se no momento. Vai-se convergindo para dentro de mim antes de deixar de existir. Antes de desistir de existir no vazio, apenas uma fracção de segundo a seguir. O mundo a partir do meu quarto. Tudo se condensa nesse momento, em que a lua é tão intensa porque é Verão, e tão intensa sobre mim, porque todas as noites, não interessa bem a que horas me deite, abro as portadas e deixo passar a sua gentileza. Acomoda-se. O mundo condensa-se num último esforço por respirar, por pulsar. As coisas existem na memória, na imaginação. As coisas existem apenas em livros. Sacudo a minha cabeça da almofada. Levanto-me no ímpeto de agarrar a caneta. Deixo de existir. A caneta passa a ser testemunho de memórias. Agora apenas memórias. E o papel estava mesmo ali à mão.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Nasceu de uma nova dimensão de coisas. Uma que toda a gente desconhece. Que ela própria inventou. As coisas que vivem com ela, ao lado dela, não são sensíveis. E não passam de movimentos, de efemeridade.
Nada rasga a penumbra, que nada mais se torna. Um eterno lusco-fusco, nunca tarde e também nunca sombra, nunca manhã nem luz, um nada. Outrora, talvez conseguisse ver as pessoas que sentiam mais para além dela e agora nem isso. E talvez nunca.
Não há memórias que provenham de uma dimensão tão peculiar assim, apenas Presente. E talvez quem sabe esse Presente não Presente mas um único momento, vivível por uma eternidade.
Sim, uma nova dimensão de coisas. Talvez sem memórias nem dor, nem coisa outra que se possa sentir.
Nada rasga a penumbra, que nada mais se torna. Um eterno lusco-fusco, nunca tarde e também nunca sombra, nunca manhã nem luz, um nada. Outrora, talvez conseguisse ver as pessoas que sentiam mais para além dela e agora nem isso. E talvez nunca.
Não há memórias que provenham de uma dimensão tão peculiar assim, apenas Presente. E talvez quem sabe esse Presente não Presente mas um único momento, vivível por uma eternidade.
Sim, uma nova dimensão de coisas. Talvez sem memórias nem dor, nem coisa outra que se possa sentir.
domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
Preciso de solidão para me sentir triste. Para sentir que me resto mais do que não existo. Que não fujo, não me escondo ou quu ninguém me vê. E sozinha ninguém em vê ou vejo-me eu e por isso alguém. Vejo-me sozinha, existindo, sentindo ira, devastação. Resta de mim algo quando estou triste. Resta melancolia, necessidade e contudo presença. Percepção.
Modera-se nos estados de espírito, tornando-se, cada um, tolerável, ou quase.
Modera-se nos estados de espírito, tornando-se, cada um, tolerável, ou quase.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Devo-me a ti, que sempre exististe. Sempre no mesmo lugar: ao meu lado.
Porque não existe outro lugar para as mães, após os filhos, porque não existe um "após os filhos".
O teu lugar é aqui onde sempre estiveste, onde sempre exististe, onde sempre viveste e me ajudaste a viver. O teu lugar é a meu lado.
Daqui ver-me-ás crescer. De bem perto.
Porque não existe outro lugar para as mães, após os filhos, porque não existe um "após os filhos".
O teu lugar é aqui onde sempre estiveste, onde sempre exististe, onde sempre viveste e me ajudaste a viver. O teu lugar é a meu lado.
Daqui ver-me-ás crescer. De bem perto.
quinta-feira, 11 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Contrução
Existir é uma construção. Cada piso que se sobe é feito de menos coisas, com maior peso e importância, os seus alicerces são pisos de coisas mais pequenas. Querer começar por baixo, pelas coisas mais pequenas, leva mais tempo. Começar por cima, mais esforço.
terça-feira, 2 de março de 2010
Hoje surpreendeu-me. Hoje acomodei-me ilegalmente numa sala vazia, juntamente com 6 colegas, e falámos, entre outros, de realidade. Não da realidade, mas de uma realidade apenas de cada um, no futuro, no que vem depois da morte, chegando à conclusão que, de um modo geral, não divergiam muito umas das outras.
A certo ponto da conversa, eu:
- Gostava que a vossa realidade fosse brutalmente diferente da minha! Seria mais interessante, saberia mais coisas.
Um colega:
- Seria ainda mais complicado entender-vos!
Os 90 minutos mais intensos dos últimos tempos ( e os únicos em que a dita sala ficou ilesa).
A certo ponto da conversa, eu:
- Gostava que a vossa realidade fosse brutalmente diferente da minha! Seria mais interessante, saberia mais coisas.
Um colega:
- Seria ainda mais complicado entender-vos!
Os 90 minutos mais intensos dos últimos tempos ( e os únicos em que a dita sala ficou ilesa).
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Transportar

A minha vida é transportada de inércia. Não sou se não aquela que observa. Não tomo acção ora por preguiça, ora por medo, ora por falta de vontade. Toda eu sou inércia. As minhas decisões são feitas por aqueles que ainda se importam.
Talvez por isso, o tempo, outrora com variações de andamento, agora viaje tão depressa.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
"Vamos morrer" Pedro Mexia
Vamos morrer, mas somos sensatos,
e á noite, debaixo da cama,
Deixamos simétricos e exactos,
o medo e os sapatos.
Senhor Fantasma
e á noite, debaixo da cama,
Deixamos simétricos e exactos,
o medo e os sapatos.
Senhor Fantasma
sábado, 9 de janeiro de 2010
Estou cheia.
Não tolero mais apanhar as agulhas do meu próprio mundo, à procura de um sabor a qualquer coisa. Cansei-me de fingir que existo, e mais do que existir, que me importo, mas não posso mais que isso. Vou a partir de agora, ser mais do mesmo, a fazer as mesmas coisas enquanto alguém estiver a olhar.
Não tolero mais apanhar as agulhas do meu próprio mundo, à procura de um sabor a qualquer coisa. Cansei-me de fingir que existo, e mais do que existir, que me importo, mas não posso mais que isso. Vou a partir de agora, ser mais do mesmo, a fazer as mesmas coisas enquanto alguém estiver a olhar.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Desde ontem o meu peito insiste anunciar presença. O meu coração parece querer bombar mais sangue do que o que conservo no corpo, acelerando por muito pouco. Quer ao virar uma esquina vazia, quer ao sentar-me sozinha à mesa, quer ao espreitar lá para fora à noite e não ver nada.
Sinto que abandonei o ano a abandonar o sítio onde pertenço, ao lado de quem pertence comigo (novamente o meu egoísmo), e a sensação de uma existência banal, igual a todas as outras, dá lugar a uma consciência de solidão, que, outrora (não sei quando) esqueci que caminha comigo. Assim, e apenas assim, pesada, me sinto eu, me sinto viva.
Caminho por ruas onde ameaça chover mas não chove, vivo num quarto onde o branco é silêncio, onde durmo melhor e passo os mesmos dias de sempre, chateada comigo mesma por fazer sempre as mesmas coisas de uma velha rotina que não gosto, a criar objectivos que não alcanço e que esqueço, e em troca de quê?
2009 passou. Já há muitos dias que todos se queria livrar dele, e ele sem remédio. Abrimos os braços ao 2010. Que seja um ano de mais sorrisos, de mais alegria. E cumprimentos a todos por terem chegado tão longe, com a certeza que, quando este novo ano estiver no fim, quase ninguém irá desejar que fique, mas que, de novo, dê licença a um novo ano para entrar, sempre na promessa de melhor, em vez de um inexoravél fracasso e de um intenso cansaço.
Os meus desejos a vós, que sobrevivestes a mais um ano, é que se aguentem até ao próximo, e por mais alguns.
Sinto que abandonei o ano a abandonar o sítio onde pertenço, ao lado de quem pertence comigo (novamente o meu egoísmo), e a sensação de uma existência banal, igual a todas as outras, dá lugar a uma consciência de solidão, que, outrora (não sei quando) esqueci que caminha comigo. Assim, e apenas assim, pesada, me sinto eu, me sinto viva.
Caminho por ruas onde ameaça chover mas não chove, vivo num quarto onde o branco é silêncio, onde durmo melhor e passo os mesmos dias de sempre, chateada comigo mesma por fazer sempre as mesmas coisas de uma velha rotina que não gosto, a criar objectivos que não alcanço e que esqueço, e em troca de quê?
2009 passou. Já há muitos dias que todos se queria livrar dele, e ele sem remédio. Abrimos os braços ao 2010. Que seja um ano de mais sorrisos, de mais alegria. E cumprimentos a todos por terem chegado tão longe, com a certeza que, quando este novo ano estiver no fim, quase ninguém irá desejar que fique, mas que, de novo, dê licença a um novo ano para entrar, sempre na promessa de melhor, em vez de um inexoravél fracasso e de um intenso cansaço.
Os meus desejos a vós, que sobrevivestes a mais um ano, é que se aguentem até ao próximo, e por mais alguns.
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