"Sinto sozinho e nunca aprendi a estar sozinho.Estou sozinho. Sinto falta das palavras. Estu sozinho. Estou sozinho. Sinto falta de uns olhos onde possa imaginar. Estou sozinhoo. Sinto falta de mim em mim." José Luís Peixoto
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O mundo faz um último esforço e condensa-se no momento. Vai-se convergindo para dentro de mim antes de deixar de existir. Antes de desistir de existir no vazio, apenas uma fracção de segundo a seguir. O mundo a partir do meu quarto. Tudo se condensa nesse momento, em que a lua é tão intensa porque é Verão, e tão intensa sobre mim, porque todas as noites, não interessa bem a que horas me deite, abro as portadas e deixo passar a sua gentileza. Acomoda-se. O mundo condensa-se num último esforço por respirar, por pulsar. As coisas existem na memória, na imaginação. As coisas existem apenas em livros. Sacudo a minha cabeça da almofada. Levanto-me no ímpeto de agarrar a caneta. Deixo de existir. A caneta passa a ser testemunho de memórias. Agora apenas memórias. E o papel estava mesmo ali à mão.
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A sense
Firmeza
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