quinta-feira, 29 de julho de 2010

O mundo faz um último esforço e condensa-se no momento. Vai-se convergindo para dentro de mim antes de deixar de existir. Antes de desistir de existir no vazio, apenas uma fracção de segundo a seguir. O mundo a partir do meu quarto. Tudo se condensa nesse momento, em que a lua é tão intensa porque é Verão, e tão intensa sobre mim, porque todas as noites, não interessa bem a que horas me deite, abro as portadas e deixo passar a sua gentileza. Acomoda-se. O mundo condensa-se num último esforço por respirar, por pulsar. As coisas existem na memória, na imaginação. As coisas existem apenas em livros. Sacudo a minha cabeça da almofada. Levanto-me no ímpeto de agarrar a caneta. Deixo de existir. A caneta passa a ser testemunho de memórias. Agora apenas memórias. E o papel estava mesmo ali à mão.

Sem comentários:

Enviar um comentário

A sense

A sense
Firmeza