quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os dias vão-se gastando silenciosamente. Sem gastar o solo que pisam. E as coisas que não são feitas, acumulam-se seguindo a lei das coisas, eventualmente, as que mais se arrastam, por serem tão inimigas da preguiça, vão deixando um cheiro de esquecimento muito vago. Eu reforço-me de uma nova vontade de andar, que se gasta proporcionalmente à passagem dos dias, e que, após gastas, eu renovo, evitando a deprimência. Nada se abala. Os dias continuam a gastar-se num silêncio cada vez mais consumidor. Ao fim de cada dia, os esforços pôem-se em evidência através do cansaço, assim como a sua própria irrelevâcia: sem qualquer fruto ou recompensa ou ponta de satisfação. E os dias repetem-se, repetem-se, repetem-se...

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A sense

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