terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Todos os dias espreito os mesmos sítios, à procura das mesmas pessoas que sempre lá estão (ou em busca de quem lá nunca se encontra, quem sabe).
Cada vez menos tenho tempo para mim. Hoje, no mais escasso exemplo, aterrar em lençóis e, antes de ser dominada pelo cansaço, dar uma revisão num livro cujas páginas abandonei (e o número esqueci). Quando me lembro, leio letras, com sorte palavras e não me mexi da mesma página. Será assim como num livro que leio, que se encerra a minha existência?
Ontem obriguei-me a mim mesma a sentar em frente à secretária, a escrever as minhas próprias linhas, e fingir o domínio (e quais domínios são os de uma vida tão singela?), mas domínios, nenhuns, e se os há, deles, nem sombra.
Nesta semana cada dia tem menos uma hora que o anterior, e o meu destino, dele chama ficaram fagulhas, e as fagulhas saltaram, fugiram, desapareceram. E eu sentada em frente à secretária (à espreita, à procura do que lá não se encontra).

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