Levanta-se, pega no jornal e sai. Como se mais ninguem vivesse na casa. Que raio de rotina é esta?
Lá vai ele, de pasta debaixo do braço. No auge dos seus quarenta, a sua expressão vivida já impõe algum respeito. E embora a alma seja de peso, não se atreve a soltar o suspiro. Não enquanto, do outro lado da estrada, a vizinha do 1º direito estiver a despejar o lixo e no café o colega olhar pela janela num aceno desprovido de interesse, e aquele sorriso amarelo de quem teve mesmo que se levantar da cama às seis da manhã. Não pode correr o risco de perder esse respeito, por um breve suspiro. Esse que demorou tanto a contruir e a ser reconhecido.
Hoje para variar conteve as palavras, ao sair de casa, pelo medo de cair no desabafo de uma lágrima, talvez do olho esquerdo, com medo da denuncia da sua voz. (Que raio de rotina é esta?)
Mas cansado daquela rotina, de tentar esconder-se de uma suposta cobiça dos que mais ama, espera apenas 5 minutos até ao escritório, que, mais que longos lhe corroeram a alma, e aí não é um suspiro, mas o choro que expressa a sua mágua.
Sem comentários:
Enviar um comentário